É possível parcelar dívida em protesto?

Entenda como parcelar uma dívida em protesto e regularizar sua situação financeira de forma segura e eficiente.

parcelar dívida em protesto

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Descobrir que uma dívida foi protestada costuma ser um susto. Seja por um e-mail, uma carta ou uma consulta inesperada, a notícia gera insegurança e levanta muitas dúvidas sobre o que fazer a partir dali.

Quando uma dívida é protestada, significa que o credor registrou oficialmente a inadimplência em um Cartório de Protesto. Esse registro pode impactar diretamente a vida financeira, já que costuma refletir em órgãos de proteção ao crédito e gerar restrições para contratar empréstimos, financiamentos ou até firmar contratos de aluguel.

Apesar de parecer uma situação difícil, existem caminhos para regularizar a pendência e reorganizar a vida financeira. Uma das perguntas mais comuns nesse momento é se ainda é possível parcelar a dívida após o protesto.

A boa notícia é que sim, isso é possível. Ao longo deste conteúdo, você vai entender como funciona esse processo e quais são os próximos passos para negociar a dívida de forma consciente e recuperar o controle das suas finanças.

O que é protesto e por que ele acontece?

Antes de entender como parcelar, é importante saber como se chega até esse ponto.

O protesto é um ato formal, realizado em cartório, que comprova publicamente que uma pessoa ou empresa não pagou uma obrigação (como uma conta, um empréstimo ou um cheque). O credor recorre a esse registro para tentar forçar o pagamento e também para informar ao mercado que aquela dívida não foi honrada.

As dívidas mais comuns que vão a protesto são:

  • Contas atrasadas (luz, água, telefone);
  • Cheques sem fundo;
  • Carnês ou boletos não pagos;
  • Parcelas de financiamento ou empréstimo;
  • Impostos municipais ou estaduais;

Geralmente, o protesto acontece depois de alguns meses de atraso, quando tentativas de cobrança já foram feitas sem sucesso.

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É possível parcelar uma dívida já protestada?

Existe um mito comum de que, após o protesto, a dívida só pode ser quitada à vista, entretanto, é totalmente possível negociar e parcelar uma dívida já protestada. Na prática, muitos credores preferem receber o valor de forma parcelada do que não receber. Eles também entendem que exigir o pagamento integral de uma única vez pode inviabilizar qualquer acordo.

Apesar disso, a negociação de uma dívida protestada possui algumas particularidades importantes:

  • O valor da dívida pode estar mais alto devido à incidência de juros, multas e custas cartoriais;
  • A negociação pode envolver mais de uma parte, como o credor, o cartório e, em alguns casos, uma empresa de cobrança;
  • Após o acordo e o pagamento das custas, a retirada do nome dos órgãos de proteção ao crédito pode levar alguns dias para ser efetivada.

Como negociar uma dívida protestada?

Se você quer sair dessa situação, siga esses passos de forma organizada. A clareza e a informação são suas maiores aliadas.

Confirme os dados da dívida

Antes de iniciar qualquer negociação, é fundamental confirmar todas as informações relacionadas à dívida. Esse cuidado evita erros, desencontros de informação e atrasos no processo de acordo.

Antes de mais nada, verifique em qual cartório o título foi protestado, qual é o valor original da dívida e o valor atualizado, já considerando juros, multas e custas cartoriais. Também é importante identificar quem é o credor original responsável pelo protesto.

Essas informações podem ser obtidas diretamente no cartório de protesto ou por meio de plataformas especializadas, como o site Consulta Protesto.

Entre em contato com o credor ou com o cartório

Algumas vezes, o cartório atua como intermediário. Ligar para lá e perguntar sobre possibilidade de parcelamento é um bom começo. Em outros casos, você pode negociar diretamente com quem está lhe cobrando, como o banco, a operadora de telefonia, a financeira etc.

Dica: tenha em mãos seu CPF, número do processo ou certidão de protesto (se tiver) e esteja pronto para explicar sua situação financeira atual.

Proponha uma realidade financeira possível

Na hora de negociar, seja transparente sobre quanto realmente cabe no seu orçamento mensal. Assumir uma parcela maior do que você consegue pagar só adia o problema e aumenta as chances de inadimplência novamente.

Entre na negociação já preparado para fazer uma proposta concreta. É importante tentar negociar descontos em multas e juros, já que muitas empresas costumam flexibilizar esses valores.

Também vale perguntar qual é o número máximo de parcelas permitido e, antes de fechar o acordo, solicitar o valor final do parcelamento já com todas as taxas incluídas. Assim, você evita surpresas e garante um acordo que realmente faça sentido para sua realidade financeira.

Formalize a negociação

Nunca feche um acordo apenas por telefone. Sempre solicite uma proposta formal, enviada por e-mail ou carta, para garantir que todas as condições estejam registradas de forma clara.

Esse documento deve informar o valor total da dívida, o número de parcelas, o valor de cada uma, as datas de vencimento e a confirmação de que o protesto será cancelado após o pagamento conforme o combinado.

Somente depois de analisar essa proposta com atenção e ter certeza de que todas as informações estão claras e corretas é que você deve aceitar o acordo.

Cumpra o acordo

Assim que o acordo for fechado, pague a primeira parcela no prazo e mantenha o compromisso. Guarde todos os comprovantes. Após o pagamento da última parcela, solicite a carta de anuência ou certidão de quitação, que comprova que a dívida foi quitada.

Confirme o cancelamento do protesto

O cancelamento do protesto não é automático. Após a quitação, o cartório emite uma certidão de cancelamento, que deve ser enviada aos órgãos de proteção ao crédito. 

Fique de olho: depois de 5 a 7 dias úteis, consulte seu nome no SPC e Serasa para confirmar a regularização.

O que fazer se não conseguir negociar sozinho?

Às vezes, a negociação pode ser complicada, seja porque o valor está muito alto, seja porque o credor não quer abrir mão de juros abusivos. Nesses casos, você tem alternativas:

Busque ajuda de um defensor público: Se sua renda é baixa, a Defensoria Pública pode ajudar a intermediar o acordo gratuitamente. Eles têm experiência em negociações desse tipo e podem orientar sobre seus direitos.

Renegociação via judicial: Em alguns casos, é possível entrar com uma ação pedindo a revisão dos juros e multas, com base na lei de usura ou no Código de Defesa do Consumidor. Um advogado especializado pode analisar se seu caso se encaixa.

Procure um especialista em recuperação de crédito: Existem escritórios e consultorias que ajudam a renegociar dívidas a custo acessível. Pesquise referências antes de contratar.

Em resumo, o parcelamento é uma ferramenta acessível para quem precisa se reerguer sem abalar completamente o orçamento mensal. Quanto antes você procurar resolver, menores serão os juros, o desgaste emocional e os transtornos na sua vida financeira.

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Escrito por

Analista de Suporte | Acredito na lei do universo e no poder das conexões. "A forma como você atende o mundo, é como o mundo vai lembrar de você"

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