Principais causas do endividamento empresarial no Brasil
Saiba como o endividamento empresarial atingiu recordes no Brasil, com mais de 7 milhões de empresas em situação de inadimplência.
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O endividamento empresarial atingiu níveis recordes no Brasil em 2025, refletindo um cenário econômico desafiador para negócios de todos os portes.
Segundo a Serasa Experian, o país registrou 7,3 milhões de empresas inadimplentes, o que representa aproximadamente 31,9% de todos os CNPJs ativos, ou seja, quase um terço das empresas brasileiras possui dívidas em atraso. O valor total dessas dívidas também bateu recorde, chegando a R$ 169,8 bilhões, o maior já registrado desde o início da série histórica do indicador.
Esses números reforçam a relevância do debate sobre endividamento empresarial e os fatores que levam empresas a perder o controle financeiro.
Setores mais impactados pela inadimplência
Os dados mostram que o problema não afeta todos os setores da mesma forma. O segmento de Serviços concentra 53% das empresas negativadas, seguido pelo Comércio (34,8%) e pela Indústria (8%) .
Além disso, os micro e pequenos negócios são os mais vulneráveis. Ainda de acordo com a Serasa, cerca de 6,9 milhões das empresas inadimplentes pertencem a esse grupo, que costuma ter menor capital de giro, maior dependência de crédito bancário e menos margem para absorver oscilações do mercado.
Enquanto grandes empresas conseguem acessar o mercado de capitais com taxas mais competitivas, pequenos empresários frequentemente dependem de empréstimos bancários com juros elevados, o que intensifica o risco de endividamento empresarial.
Estados com maior índice de empresas negativadas
O problema também varia regionalmente. Os estados com maiores taxas de inadimplência empresarial são:
- Distrito Federal – 40,9% das empresas inadimplentes
- Alagoas – 40,3%
- Pará – 39,8%
Na outra ponta, os estados com menores índices são:
- Santa Catarina – 24,5%
- Espírito Santo – 24,8%
- Piauí – 25%
Essas diferenças refletem fatores econômicos locais, como nível de atividade, renda regional e acesso ao crédito.
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O impacto dos juros altos no endividamento empresarial
Um dos principais motores do endividamento empresarial é o custo elevado do crédito. Em 2025, a taxa Selic atingiu 14,75% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas .
Juros altos encarecem financiamentos, capital de giro e renegociação de dívidas. Para muitas empresas, parte significativa do faturamento acaba sendo direcionada apenas para pagamento de juros, comprometendo investimentos, contratações e crescimento.
Esse cenário cria um ciclo difícil: menos crédito disponível → mais inadimplência → condições ainda mais restritivas para novos empréstimos.
Inflação, custos crescentes e pressão sobre o caixa
Outro fator relevante é a inflação, que eleva os custos de insumos, aluguel, energia, logística e folha de pagamento. Com despesas maiores e consumo mais pressionado, muitas empresas recorrem ao crédito para manter suas operações.
Além disso, a desvalorização da moeda afeta negócios que dependem de insumos importados, reduzindo margens de lucro e ampliando a necessidade de financiamento. Esse conjunto de fatores macroeconômicos contribui diretamente para o avanço do endividamento empresarial.
Falhas internas
Embora fatores externos tenham grande peso, muitas causas do endividamento estão ligadas à gestão interna. Entre os principais erros estão:
- Falta de planejamento financeiro;
- Controle ineficiente do fluxo de caixa;
- Uso excessivo de crédito para despesas operacionais;
- Falta de análise do custo real das dívidas;
- Crescimento acelerado sem estrutura financeira.
Empresas que não acompanham entradas e saídas com regularidade tendem a perder previsibilidade e acabam recorrendo a empréstimos emergenciais, geralmente com taxas mais altas.
Sinais de alerta para o endividamento empresarial
Alguns indícios mostram que a empresa pode estar entrando em uma zona de risco:
- Atrasos frequentes em pagamentos a fornecedores, impostos ou funcionários;
- Dependência constante de empréstimos ou cheque especial;
- Redução das margens de lucro, mesmo com vendas estáveis;
- Dificuldade em renegociar dívidas;
- Aumento de protestos ou negativação;
- Uso recorrente de crédito para cobrir despesas básicas.
Identificar esses sinais cedo pode evitar consequências mais graves, como bloqueios judiciais, perda de reputação e até falência.
Principais causas do endividamento empresarial
De forma prática, as causas mais recorrentes incluem:
- Má gestão financeira;
- Crises econômicas e retração do consumo;
- Expansão descontrolada;
- Contratação de empréstimos sem planejamento;
- Custos operacionais elevados;
- Dependência excessiva de crédito bancário.
Reconhecer essas causas é o primeiro passo para conter o avanço do endividamento empresarial.
Como reduzir riscos e recuperar a saúde financeira
Reduzir riscos e recuperar a saúde financeira exige ação estratégica e disciplina na gestão.
O primeiro passo é reestruturar dívidas, renegociando prazos, taxas e condições para aliviar o fluxo de caixa e criar espaço para reorganização financeira.
Em paralelo, é fundamental revisar custos. Analisar despesas fixas e operacionais permite eliminar desperdícios, aumentar a eficiência e preservar margem.
Outra frente indispensável é a gestão eficiente do fluxo de caixa. Monitorar entradas e saídas com frequência, priorizar contas essenciais e fortalecer os processos de cobrança são medidas que ajudam a manter previsibilidade e estabilidade financeira.
Por fim, contar com apoio especializado pode ser decisivo. Assessoria jurídica e financeira contribui para decisões mais seguras, especialmente em situações críticas, como renegociações estruturadas ou processos de recuperação judicial.
Considerações finais
O avanço do endividamento empresarial no Brasil é resultado de uma combinação entre fatores econômicos, crédito caro e falhas de gestão. Em um cenário de juros elevados, inflação persistente e acesso restrito a financiamento, empresas precisam adotar planejamento, controle e estratégia para manter a sustentabilidade do negócio.
Agir cedo, reconhecer os sinais de alerta e buscar soluções estruturadas pode fazer a diferença entre recuperação e colapso financeiro.
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